Tenho urgência de dizer o que vim dizer, mas não tenho pressa. Se ao final me faço compreender, estarei contente. Vim dizer que algo me chama. Acho que é uma música e isso me lembra muitas pessoas que amei e amo, e os da rua, sempre. Talvez essa música seja a própria vida.
Maria me pede o Mundo e acrescenta: o jornal. Amo quem me faz rir.
Às vezes, em algumas partes, há um grito de raiva ou de dor, queria aplacar essa dor, porque nada tem a ver com a música que escuto. Vou até a janela e aceno à senhora que grita, eu poderia escutá-la, eu poderia beijá-la. Logo chega outra senhora e as duas começam a caminhar juntas. Há que fazer que as pessoas se encontrem. Apenas no encontro se faz a música da vida.
Também eu busco o encontro. De onde vem esse chamado? Não sou eu quem chamo, pois que alguém me chamou antes, eu apenas respondo. De onde venho? Volto à minha terra e daí posso ser a gaivota, o leão, a formiga, o menino que passa. Na minha terra sou eu a sonhar todos os seres. Mas apenas desperto quando me dou conta de que alguém me sonha a mim.
Um homem que encontro no metrô me pergunta onde vivo. Pergunto se viver é dormir. Ele me responde que sim mas não sei se compreende o sentido que tiro. Tem algum sentido: minha terra, minha casa a levo dentro de mim. Meu corpo é o barco com o qual navego. Sou onde estou e sou mais além.
Quando estarei contente? Quando me faça compreender pela pessoa com quem falo. Falo sozinha, mas me responde uma gaivota. Imagino sua canção:
Estarei feliz quando possa ensinar
O sentimento que me faz viver
É o mesmo que me faz
Não temer a morte
Já lhe deram nome
E se chama amor
Busco o espaço para minha voz, para minhas palavras na harmonia que se faz. Busco mais que tudo a harmonia, e às vezes me vou para longe para não desafinar ninguém. Me desconecto dessa rede de sonhos entrelaçados e vou até a minha terra, que a levo dentro. Quando estou aí, nessa terra incrível, alguém me chama. A arte é a vida? O trabalho é a vida?
Tenho vontade de buscar a vida, que me chama. Que Trabalho é esse para o qual nasci?
Brincadeira de criança, último recurso no árduo processo do ser humano de decidir a vida. Adentrar a Realidade é meu maior sonho. Que eu possa fazê-lo com consciência e com o coração manso e puro é a minha prece.
domingo, 24 de maio de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Jesus e a realidade
A realidade – que, autorizados pela etimologia, podemos chamar ‘coisidade’ – é a substância e o processo da coisa. A coisa é o objeto por excelência. Na realidade todos somos coisas, objetos da Criação.
Mas quis o homem distinguir-se, ou assim o quis a Natureza ou Deus. O homem é uma coisa específica, que – paradoxo dos paradoxos – encontra-se em uma posição diametralmente oposta à coisa, ao objeto. Isso nos leva a que o homem não existe na realidade, pois que a realidade é constituída exclusivamente de coisas. O homem é a abertura do sistema, por onde ele (o sistema da realidade) é gerado, já que nenhuma geração ou criação é possível em um sistema fechado (o que, por sinal, não existe).
O verdadeiro homem é, assim, instrumento da criação divina. É ele quem me diz se está tudo bem e posso investir ou se devo buscar outras águas. Ele é o caminho cujas sendas sempre me desafiam. Com ele aprendo alegria e seriedade. Ele é a Palavra viva de Deus, de quem eu aprendo.
Deus e o homem são uma só e mesma coisa em Jesus Cristo. Não quero mover-me por ganas de sair e sim por ganas de entrar. Adentrar a Realidade é meu maior sonho. Que eu possa fazê-lo com consciência e com o coração manso e puro é a minha prece.
Mas quis o homem distinguir-se, ou assim o quis a Natureza ou Deus. O homem é uma coisa específica, que – paradoxo dos paradoxos – encontra-se em uma posição diametralmente oposta à coisa, ao objeto. Isso nos leva a que o homem não existe na realidade, pois que a realidade é constituída exclusivamente de coisas. O homem é a abertura do sistema, por onde ele (o sistema da realidade) é gerado, já que nenhuma geração ou criação é possível em um sistema fechado (o que, por sinal, não existe).
O verdadeiro homem é, assim, instrumento da criação divina. É ele quem me diz se está tudo bem e posso investir ou se devo buscar outras águas. Ele é o caminho cujas sendas sempre me desafiam. Com ele aprendo alegria e seriedade. Ele é a Palavra viva de Deus, de quem eu aprendo.
Deus e o homem são uma só e mesma coisa em Jesus Cristo. Não quero mover-me por ganas de sair e sim por ganas de entrar. Adentrar a Realidade é meu maior sonho. Que eu possa fazê-lo com consciência e com o coração manso e puro é a minha prece.
domingo, 12 de abril de 2009
Eu e o tempo ou Mestre de si mesmo
Ser mestre de si mesmo… Não sei se é possível. Seria preciso enganar o tempo, mas não se engana o tempo: é ele que corta a carne em rusgas; com o tempo, as rugas são estradas que o amor desenha na gente. O tempo é um dragão a quem é preciso dar combate se acaso se quer fazer história. O ódio é o amor encarcerado nas profundezas. E talvez seja melhor dançar com o tempo que pelear com ele.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
A palavra da Palavra
A palavra da Palavra viva de Deus chegou até nós. Pra todo dia, toda hora, cada segundo, só Deus mesmo, porque todo o resto é transitório. “O pão nosso de cada dia nos dai hoje.”
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